O Garoto: João Hélio Fernandes
“Se hoje tua mão não tem manga ou goiaba
Se a nossa pelada se foi com o dia
Te peço desculpas me abraça meu filho
...não sei se tentei tanto quanto eu podia
Se hoje teus olhos vislumbram com medo...
... Fujo do teu olho me abraça meu filho
Não sei se eu tentei mas você merecia"
Ao Nosso Filho Morena
Oswaldo Montenegro
Lamentável. Mas que diferença tem esse caso com os jovens que foram colocados em um poço onde provavelmente iriam morrer lentamente, com o garoto e seus pais que morreram após os bandidos colocarem fogo no carro em que estavam. Que diferença tem com as vitimas do ônibus incendiado ou as crianças mortas por bala perdida.
Nunca ouvi tantos absurdos como os que vem sendo proferidos após o drama da família do garoto João H. Fernandes que teve seu corpo arrastado por vários bairros do Rio de Janeiro em 07 de fevereiro de 2007. A sociedade levanta a bandeira em pró da redução da maioridade penal, como se o contexto do problema fosse simplesmente ser menor de idade. Será que se fossem todos maiores de idade a sociedade estaria achando um caso comum de violência? Será que foi por isso que a morte do garoto que estava no carro com seus pais quando os bandidos colocaram fogo não trouxe tanto repudio a sociedade,afinal, os bandidos eram todos maiores de idade.
No meio de tantas acusações, justificativas, possíveis punições, entrevistas, depoimentos, uma mesma frase se ouvia por todos os cantos: “Eles sabiam que o garoto estava preso no cinto”. Então comecei a compreender nossa sociedade. A indignação foi porque, sendo os bandidos avisados que arrastavam o garoto na certa deveriam parar o carro, verificar se estava machucado, arrumar suas roupas amassadas, pegá-lo no colo, entregá-lo a alguém. Então a multidão, antes enfurecida, iria aplaudir a atitude dos bandidos que por frações de segundos tornam-se humanos, civilizados. Pela atitude digna, a multidão abriria as portas do carro para que os menores possam retornar ao papel de bandidos, que são, e sair em disparada dando seqüência ao roubo do carro.
Com essas atitudes, talvez esses marginais se tornariam exemplos para a nossa sociedade política e os parlamentares pensariam nos chefes de família que precisam alimentar seus filhos com um salário mínimo. Aqueles políticos que fraudaram a previdência iriam devolver o dinheiro para os humilhados aposentados no nosso país. Outros devolveriam milhões de reais para a educação, para a saúde, para a assistência social, para a segurança, enfim, quem sabe até o ‘nunca saber de nada’ do nosso presidente, deixaria de ser aceito pela maioria do eleitorado brasileiro como justificativa para não assumir suas responsabilidades.
Mas, nossos políticos, aí é outra história. Logo que perceberam o abalo sísmico que ocorreu naquele carro provocando um grande tsunami na sociedade rapidamente entraram em ação. Pegaram suas pranchas e pegaram a onda criada pela própria sociedade chamada ‘redução da maioridade penal’ enquanto que as ondas chamadas ‘Celso Daniel’, ‘o perito do caso Celso Daniel’, ‘Neylton Souto da Silveira’, ‘Mensalão’, ‘Paulo Cezar Farias’, ‘Paulo Maluf’, ‘Não sei de nada’, ‘Aprovação de aumento de salários pelos parlamentares’, ‘mudançã de partidos após as eleições’, ‘José Dirceu’, ‘a dança da elefantinha’, ‘os dólares na cueca’, ‘os dossiês’, ‘Impunidade’ e a onda chamada ‘mix de escândalos do poder publico’ eram muito bem escondidas pelos surfistas.
Incrível a coincidência que encontrei nos desabafos de pessoa comuns sobre o ocorrido. Muitas são as mesmas que meses atrás diziam: “ Voto nele sim. Rouba, mas faz”. As mesmas que dão ibope às emissoras que exibem imagens de violência pura enrustidas na falsa desculpa da informação. São as mesmas que não perdem a novela das oito onde nunca matar foi tão simples e por motivos tão banais como nos últimos anos. Banal como os comentários e justificativas do nosso presidente sobre a violência no Brasil.
Bem, acho que já falei muita asneira, por isso, vou encerrar. Mas não antes de mostrar para os senhores leitores a pior de todas as asneiras que presenciei. Veio de Genebra e pasmem, de um brasileiro. Ele mandou um e-mail para uma revista de grande circulação comentando sobre o caso do garoto João. Seu e-mail diz o seguinte, na integra:
“O que falta para a sociedade brasileira exigir uma reposta séria para o problema da criminalidade do Rio? Quando leio notícias sobre criminalidade, pacote de crescimento, assassinatos, seqüestros, vejo que está longe o dia de poder voltar para o Brasil”.
Amigos leitores, não tenho palavras para comentar o e-mail desse, tão longe, brasileiro.
Não sei se tentamos tudo que podíamos, mas sei que João Helio e tantos outros, mereciam muito mais.
Termino com a palavra PAZ!
Assinado: (Metrô Linha 743).
Se a nossa pelada se foi com o dia
Te peço desculpas me abraça meu filho
...não sei se tentei tanto quanto eu podia
Se hoje teus olhos vislumbram com medo...
... Fujo do teu olho me abraça meu filho
Não sei se eu tentei mas você merecia"
Ao Nosso Filho Morena
Oswaldo Montenegro
Lamentável. Mas que diferença tem esse caso com os jovens que foram colocados em um poço onde provavelmente iriam morrer lentamente, com o garoto e seus pais que morreram após os bandidos colocarem fogo no carro em que estavam. Que diferença tem com as vitimas do ônibus incendiado ou as crianças mortas por bala perdida.
Nunca ouvi tantos absurdos como os que vem sendo proferidos após o drama da família do garoto João H. Fernandes que teve seu corpo arrastado por vários bairros do Rio de Janeiro em 07 de fevereiro de 2007. A sociedade levanta a bandeira em pró da redução da maioridade penal, como se o contexto do problema fosse simplesmente ser menor de idade. Será que se fossem todos maiores de idade a sociedade estaria achando um caso comum de violência? Será que foi por isso que a morte do garoto que estava no carro com seus pais quando os bandidos colocaram fogo não trouxe tanto repudio a sociedade,afinal, os bandidos eram todos maiores de idade.
No meio de tantas acusações, justificativas, possíveis punições, entrevistas, depoimentos, uma mesma frase se ouvia por todos os cantos: “Eles sabiam que o garoto estava preso no cinto”. Então comecei a compreender nossa sociedade. A indignação foi porque, sendo os bandidos avisados que arrastavam o garoto na certa deveriam parar o carro, verificar se estava machucado, arrumar suas roupas amassadas, pegá-lo no colo, entregá-lo a alguém. Então a multidão, antes enfurecida, iria aplaudir a atitude dos bandidos que por frações de segundos tornam-se humanos, civilizados. Pela atitude digna, a multidão abriria as portas do carro para que os menores possam retornar ao papel de bandidos, que são, e sair em disparada dando seqüência ao roubo do carro.
Com essas atitudes, talvez esses marginais se tornariam exemplos para a nossa sociedade política e os parlamentares pensariam nos chefes de família que precisam alimentar seus filhos com um salário mínimo. Aqueles políticos que fraudaram a previdência iriam devolver o dinheiro para os humilhados aposentados no nosso país. Outros devolveriam milhões de reais para a educação, para a saúde, para a assistência social, para a segurança, enfim, quem sabe até o ‘nunca saber de nada’ do nosso presidente, deixaria de ser aceito pela maioria do eleitorado brasileiro como justificativa para não assumir suas responsabilidades.
Mas, nossos políticos, aí é outra história. Logo que perceberam o abalo sísmico que ocorreu naquele carro provocando um grande tsunami na sociedade rapidamente entraram em ação. Pegaram suas pranchas e pegaram a onda criada pela própria sociedade chamada ‘redução da maioridade penal’ enquanto que as ondas chamadas ‘Celso Daniel’, ‘o perito do caso Celso Daniel’, ‘Neylton Souto da Silveira’, ‘Mensalão’, ‘Paulo Cezar Farias’, ‘Paulo Maluf’, ‘Não sei de nada’, ‘Aprovação de aumento de salários pelos parlamentares’, ‘mudançã de partidos após as eleições’, ‘José Dirceu’, ‘a dança da elefantinha’, ‘os dólares na cueca’, ‘os dossiês’, ‘Impunidade’ e a onda chamada ‘mix de escândalos do poder publico’ eram muito bem escondidas pelos surfistas.
Incrível a coincidência que encontrei nos desabafos de pessoa comuns sobre o ocorrido. Muitas são as mesmas que meses atrás diziam: “ Voto nele sim. Rouba, mas faz”. As mesmas que dão ibope às emissoras que exibem imagens de violência pura enrustidas na falsa desculpa da informação. São as mesmas que não perdem a novela das oito onde nunca matar foi tão simples e por motivos tão banais como nos últimos anos. Banal como os comentários e justificativas do nosso presidente sobre a violência no Brasil.
Bem, acho que já falei muita asneira, por isso, vou encerrar. Mas não antes de mostrar para os senhores leitores a pior de todas as asneiras que presenciei. Veio de Genebra e pasmem, de um brasileiro. Ele mandou um e-mail para uma revista de grande circulação comentando sobre o caso do garoto João. Seu e-mail diz o seguinte, na integra:
“O que falta para a sociedade brasileira exigir uma reposta séria para o problema da criminalidade do Rio? Quando leio notícias sobre criminalidade, pacote de crescimento, assassinatos, seqüestros, vejo que está longe o dia de poder voltar para o Brasil”.
Amigos leitores, não tenho palavras para comentar o e-mail desse, tão longe, brasileiro.
Não sei se tentamos tudo que podíamos, mas sei que João Helio e tantos outros, mereciam muito mais.
Termino com a palavra PAZ!
Assinado: (Metrô Linha 743).

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