A Arte de Ser Brasileiro

domingo, março 04, 2018



Luto em respeito ao Carnaval de 2018 do Rio de Janeiro.

G.R.E.S. Beija Flor de Nilópolis (Campeã Carnaval RJ 2018)
Os Filhos Abandonados da Pátria Que Os Pariu

Oh pátria amada, por onde andarás?
Seus filhos já não aguentam mais!
Você que não soube cuidar
Você que negou o amor
Vem aprender na Beija-Flor
Oh pátria amada, por onde andarás?
Seus filhos já não aguentam mais!
Você que não soube cuidar
Você que negou o amor
Vem aprender na Beija-Flor
Sou eu, espelho da lendária criatura
Um monstro carente de amor e de ternura
O alvo na mira do desprezo e da segregação
Do pai que renegou a criação
Refém da intolerância dessa gente
Retalhos do meu próprio Criador
Julgado pela força da ambição
Sigo carregando a minha cruz
À procura de uma luz, a salvação!
Estenda a mão, meu senhor
Pois não entendo tua fé
Se ofereces com amor
Me alimento de axé
Me chamas tanto de irmão
E me abandonas ao léu

Paraíso do Tuiuti (vice-Campeã Carnaval RJ 2018)
Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão no Brasil?
Irmão de olho claro ou da Guiné
Qual será o valor? Pobre artigo de mercado
Senhor eu não tenho a sua fé, e nem tenho a sua cor 
Tenho sangue avermelhado
O mesmo que escorre da ferida
Mostra que a vida se lamenta por nós dois
Mas falta em seu peito um coração
Ao me dar escravidão e um prato de feijão com arroz
Eu fui mandinga, cambinda, haussá
Fui um rei egbá preso na corrente
Sofri nos braços de um capataz
Morri nos canaviais onde se planta gente
Ê calunga! Ê ê calunga!
Preto Velho me contou, Preto Velho me contou
Onde mora a sengora liberdade
Não tem ferro, nem feitor
Amparo do rosário ao negro Benedito
Um grito feito pele de tambor
Deu no noticiário, com lágrimas escrito
Um rito, uma luta, um homem de cor 
E assim, quando a lei foi assinada
Uma lua atordoada assistiu fogos no céu
Áurea feito o ouro da bandeira
Fui rezar na cachoeira contra bondade cruel
Meu Deus! Meu Deus!
Se eu chorar não leve a mal
Pela luz do candeeiro
Liberte o cativeiro social

Não sou escravo de nenhum senhor
Meu Paraíso é meu bastião
Meu Tuiuti o quilombo da favela
É sentinela da libertação

Enfim termina uma semana triste que o carnaval de 2018 não merecia em seu currículo. A semana terminou ontem, mas seu legado não sei precisar até quando durará.

‘Deu no noticiário, com lágrimas escritas’ que as escolas de samba do Grupo Especial do RJ decidiram em plenária na LIESA, cancelar os rebaixamentos de duas escolas (que tenho em meu coração), descumprindo o regulamento criado e aprovado pelas próprias escolas de samba.

Um carnaval marcado pelo desabafo, pelas críticas à todos os tipos de corrupção no Brasil, por mostrar explicitamente o povo como fantoches nos fios de alguns,  aqueles que tem o poder do carnaval do RJ não podiam criar seus próprios fios e colocar em suas pontas a mídia, os jurados, os patrocinadores, os investidores, o público atrás dos televisores de suas casas, o público que vai ao Sambódromo e os componentes das escolas de samba (todas sem exceção), que com comprometimento, dedicação e com muita renúncia à momentos com amigos e famílias, trabalham o ano todo para faz acontecer o espetáculo que o mundo assiste todos os anos, no teatro chamado Sambódromo.

A decisão não se limitou ao mundo do Carnaval, conforme divulgado pela impressa, pedidos do prefeito de Duque de Caxias e o prefeito e governador do Rio de Janeiro foram feitos a LIESA para que não ocorressem os rebaixamentos. Pergunto a cada um: ‘Qual será o seu valor?’.  Será que o carnaval também virou ‘pobre artigo de mercado’.

‘Meu Deus! Meu Deus! Se eu chorar, não leve a mal’, é que o samba não está fazendo essa dor dentro do peito, provada pelo desapontamento, pela indignação, pela falta de respeito com a memória do Carnaval de 2018 do RJ, ir embora.

Dizem que brasileiro esquece tudo muito rápido. De fato, pode ser que isso aconteça com nós brasileiros, mas pode não acontecer o mesmo com o poder maior que todos, chamado Sambódromo.

O Carnaval do RJ foi ferido, está sangrando, mas quem se importa? Apenas mais um ‘menino abandonado’.

terça-feira, julho 22, 2014

Jornal Nacional Anuncia Império. (Enganado? Quem? Eu? Até tu Império!)

Mais uma Vez
(Renato Russo)


Mas é claro que o sol 
Vai voltar amanhã 
Mais uma vez, eu sei... 

Escuridão já vi pior 
De endoidecer gente sã 
Espera que o sol já vem... 

Tem gente que está do mesmo lado que você 
Mas deveria estar do lado de lá 
Tem gente que machuca os outros 
Tem gente que não sabe amar... 

Tem gente enganando a gente 
Veja nossa vida como está 
Mas eu sei que um dia a gente aprende 
Se você quiser alguém em quem confiar 
Confie em si mesmo... 

Quem acredita sempre alcança... 
Mas é claro que o sol...

Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena 
Acreditar no sonho que se tem 
Ou que seus planos nunca vão dar certo 
Ou que você nunca vai ser alguém... 

Tem gente que machuca os outros 
Tem gente que não sabe amar 
Mas eu sei que um dia a gente aprende 
Se você quiser alguém em quem confiar 
Confie em si mesmo... 


Quem acredita sempre alcança... 
Mas é claro que o sol...


Essa noite lembrei-me de meu avô. Virava e mexia dizia: “No meu tempo se confiava na palavra de um homem... No meu tempo não se duvidava da palavra de um homem”.

Meu avô completou sua jornada aqui na terra. Pensei nunca mais ouvir essas frases quando de repente passei a ouvir minha mãe dizer:  “No meu tempo  podia-se sair a noite sem perigo. No meu tempo as meninas não se comportavam assim”.

Em um tempo como o de hoje onde vemos policiais descarregando toda munição em dois garotos com a certeza da impunição, e o que é pior, com a naturalidade como quem senta à mesa para se alimentar todos os dias, políticos corruptos continuando com,  e no,  poder e, o difícil de esquecer, Brasil tomar 7 gols  nas quartas- de final em uma copa do mundo em nossa casa, tinha a certeza de quando chegasse no que chamam hoje de Melhor Idade, nunca pronunciar frases como “No meu tempo...” porque nada mais surpreende, nada mais é inesperado.  Isto até assistir o Jornal Nacional desta noite.

Assistia o Jornal Nacional quando o forno elétrico apitou indicando que o sanduiche estava pronto. Caminhava para a cozinha quando ouço William Bonner me convidar para “acompanhar a história de superação de um homem”.  O Jornal Nacional nunca foi uma mídia de autoajuda, por isso, para uma chamada como essa só poderia ser uma reportagem especial ou algo que aconteceu em algum lugar desse mundo, como os bombeiros que superaram o cansaço, a fadiga, para retirar uma família que ficou soterrada,  Assim, corri para a cozinha, abrir a porta do Forné elétrio para queimar o lanche  (não daria tempo para pegá-lo) e voltei correndo para a sala a tempo de ouvir o tal Boa Noite. Minha esposa vendo eu chegar correndo à sala, sem o lanche, e com a cara de surpresa ao ouvir o boa noite, sorrindo me disse:  “Pegadinha, era só a chamada para a novela Império”.


Voltei para a cozinha. Pois é, no meu tempo podia-se acreditar  na palavra de um apresentador do Jornal Nacional sem jamais passar pela cabeça que pode ser um pegadinha.  Em uma próxima chamada como está não vou deixar de apertar o botão do controle remoto, vai que é uma chamada para um novo comercial de pasta de dente. Vai que.....  Costumo responder para minha mãe que estamos em outros tempos, outro século. Fechei a porta do forno elétrico e me deparei com o reflexo de meu rosto.  Como um milagre entendi a mensagem de Bonner. Não, não, não fui enganado pelo Jornal Nacional, mais velho que meus 50 anos,  Sua intenção era dizer “olha rapaz, tem gente enganando a gente, se você quiser alguém em quem confiar meu chapa, confie em si mesmo”. Se é para ser enganado, prefiro que seja por mim mesmo.  É isso aí. Peguei o sanduiche e fui para a internet.

SidFer
21/07/2104

segunda-feira, julho 14, 2014

Copa do Mundo da Fifa 2014 - Alemanha 7 x 1 Brasil (ou Argentina 7 x 1 Brasil?)


Traumas
(Roberto Carlos)

Meu pai um dia me falou / Pra que eu nunca mentisse
Mas ele também se esqueceu / De me dizer a verdade
Da realidade do mundo / Que eu ia saber
Dos traumas que a gente só sente / Depois de crescer
Falou dos anjos que eu conheci / No delírio da febre que ardia
Do meu pequeno corpo que sofria / Sem nada entender
Minha mulher em certa noite / Ao ver meu sono estremecido
Falou que os pesadelos são / Algum problema adormecido
Durante o dia a gente tenta / Com sorrisos disfarçar
Alguma coisa que na alma / Conseguimos sufocar
Meu pai tentou encher de fantasia / E enfeitar as coisas que eu via
Mas aqueles anjos agora já se foram / Depois que eu cresci
Da minha infância agora tão distante / Aqueles anjos no tempo eu perdi
Meu pai sentia o que eu sinto agora / Depois que cresci
Agora eu sei o que meu pai / Queria me esconder
Às vezes as mentiras / Também ajudam a viver
Talvez um dia pro meu filho / Eu também tenha que mentir
Pra enfeitar os caminhos / Que ele um dia vai seguir
Meu pai tentou encher de fantasia / E enfeitar as coisas que eu via
Mas aqueles anjos agora já se foram / Depois que eu cresci
Da minha infância agora tão distante / Aqueles anjos no tempo eu perdi
Meu pai sentia, / Sentia o que eu sinto agora
Depois que cresci / 
Meu pai tentou / Tentou encher de fantasia...

Caro amigo,

Um fato curioso ocorreu com minha família em nosso passeio pela Argentina. Toda vez que nos identificávamos como brasileiros as pessoas mostravam sete dedos para nós.  Certo dia fomos assistir uma apresentação de tango e no meio de um passo, quando  o cavalheiro segura a mulher deitada em seus braços, a moça se curvou, esticou  os braços e mostrou sete dedos para nós. Aquilo já estava ficando tão insuportável que meu pai resolveu voltar para o Brasil no dia seguinte.

Como fazia em todo retorno de uma viagem, chegando em casa corri para o quarto do meu bisavô que,  com muita idade, falava devagar, as vezes não escutava direito, mas contava histórias incríveis. Assim que cheguei em sua cama e lhe dei um beijo, biso pegou em minha mão e me perguntou  por que estava triste. Contei que papai retornou da viagem porque todo mundo na Argentina ficava mostrando sete dedos para nós.

Meu biso, como fazia todas as noites, pediu para me sentar em sua cama e começou a história: “Era uma vez uma Copa do Mundo realizada aqui no nosso país. Era oito de julho de 2014, ano que eu completei 50 anos. O Brasil jogava com a Alemanha em uma partida das semifinais em Belo Horizonte. Aos 11 minutos Thomas Muller faz o primeiro gol no Brasil, aos 23 minutos Miroslav Klose faz o segundo gol no Brasil, aos 24 minutos Toni Kross faz o terceiro gol no Brasil.... - comecei a ri por achar engraçado - , aos 26 minutos,  novamente Toni Kroos, faz o quarto gol no Brasil aos 29 minutos Sami Khedira faz o quinto gol no Brasil – comecei a gargalhar -. Meu avô ficou tão sério que perdi o sorriso dos lábios. Aos 24 minutos do segundo tempo André Schurrle faz o sexto gol no Brasil e aos 34 minutos , novamente André Schurrle, faz o sétimo gol  no Brasil.

Longos minutos de silêncio e o biso continuou. “É por isso que os argentinos mostravam sete dedos para vocês. Na verdade, meu bisneto, eles mostravam o dedo do meio multiplicado por sete. Desculpa, apaga essa parte”.  Então o Brasil não ganhou a copa? A final foi entre Argentina e Alemanha que levou a taça por 1 a 0 na prorrogação.  Mas nesse dia estávamos predestinados a mais rebaixamentos.  Kroos com seu gol aos 24 minutos marca seu 16º gol em copas passando o atual recorde de Ronaldo.  Novamente longos minutos de silêncio que me pareceram necessários para biso pensar no resto da história.

Biso, você ficou triste por que o Brasil perdeu para a Alemanha. “ Naturalmente, mas foi uma vitória merecida para a seleção da Alemanha que fez uma grande partida.  Minha tristeza maior não foi porque a seleção brasileira não conquistou o caneco em casa, mas por terem deixado um carma para nós, povo brasileiro, em relação aos nosso Hermanos”. O que é carma biso?  Essa é outra história que vai ficar para amanhã porque hoje você está cansando da viagem, já está tarde e precisa dormir. Agora vá.

Saí de seu quarto e comecei a chorar.  Meu pai me contava dos álbuns de figurinha que colecionava das copas, contou dos grandes lances, da copa no Brasil mas nunca me contou que o Brasil perder de 7 da Alemanha. Pensei: “Meu biso está ficando gaga. Primeira vez que me inventa  uma história absurda”.

No dia seguinte não teve história à noite porque meu  biso foi para o céu de manhã.

Assim foi a história que meu biso contou e que hoje eu conto a você meu bisneto. O número sete que seu amiguinho argentino da escola pintou em seu caderno é por causa do dia oito de julho de 2014 quando a Alemanha meteu  sete gols no Brasil.  Agora vá se deitar que amanha você  tem escola. Mas biso o que é carma?  Essa é outra história que vai ficar para amanhã.

Assim, saí do seu quarto com a certeza que meu biso estava ficando gaga. Tomamos sete gols da Alemanha em uma semifinal de copa do mundo ainda sendo aqui no Brasil. Esta foi a pior história que o biso inventou.  Naquela noite, deitado em minha cama, papai se aproximou para me dar boa noite.  Falei da história que o biso contou. Papai sorriu me deu um beijo e disse para rezar e sonhar com os anjos.

Da cadeira de balanço onde estava, toquei o sino e minha neta logo veio. Perguntei do meu café que tomo antes de dormir. Minha filha cariosamente riu,  me beijou e falou que tomei meu café não tinha mais que sete minutos. Ajudou-me a ir para a cama, me deu um beijo e disse:  Vai se preparando vovô porque amanhã vai ter muitas historias pra contar antes de dormir. Seu bisneto está voltando da Argentina.

A enfermeira aproxima o bebê para eu segurar. É um meninão, Meu filho. Inevitavelmente lembrei do me bisavô contando histórias enquanto tomava seu café antes de dormir e olhei para os olhos do meu pai que cheios de lágrimas me observavam. Abri um dos braços e o puxei para um abraço falando em seu ouvido. Talvez um dia pro meu filho, eu também  tenha que mentir.

SidFer

terça-feira, agosto 09, 2011

O fim da premissa do verbo viver para Anders Behring Breivik e a eterna razão do verbo viver para Rachel Beckwith. Apenas o farol como semelhança.

IMAGINE
John Lennon

Imagine there's no heaven............Imagine não haver o paraíso
It's easy if you try..........................É fácil se você tentar
No hell below us................................Nem inferno abaixo de nós
Above us only Sky............................Acima de nós, só o céu
Imagine all the people......................Imagine todas as pessoas
Living for today... ............................Vivendo para o hoje
Imagine there's no countries...........Imagine que não há nenhum país
It isn't hard to do .............................Não é difícil imaginar
Nothing to kill or die for .................Nenhum motivo para matar ou morrer
And no religion tôo ..........................E nem religião, também
Imagine all the people ....................Imagine todas as pessoas
Living life in peace... .......................Vivendo a vida em paz
You may say I'm a dreamer .........Você pode dizer que eu sou um sonhador
But I'm not the only one ...............Mas eu não sou o único
I hope someday you'll join us .......Espero que um dia você junte-se a nós
And the world will be as one ........E o mundo viverá como um só
Imagine no possessions ................Imagine que não ha posses
I wonder if you can .......................Eu me pergunto se você pode
No need for greed or hunger .......Sem a necessidade de ganância ou fome
A brotherhood of man ..................Uma irmandade dos homens
Imagine all the people ..................Imagine todas as pessoas
Sharing all the world... .................Partilhando todo o mundo




Caro amigo,




O palestrante professor pergunta a todos a diferença entre inteligência e vontade. Simples, responde em seguida. A inteligência é igual ao farol que ilumina o caminho e a vontade é o que nos leva a passar por esse caminho e fazer coisas, alcançar nossos objetivos.

Em um mundo não imaginado, em algum momento de um dia comum, um Ser Humano adulto de 32 anos se dirige ao seu computador para deixar um recado que irá influenciar a vida de milhares de pessoas.

Em um mundo não imaginado, em algum momento de um dia comum, um Ser Humano criança de 9 anos se dirige ao seu computador para deixar um recado que irá influenciar a vida de milhares de pessoas.

O Ser Humano adulto inicia seu recado detalhando seu método para atingir seus objetivos: Causar o maior dano possível à liderança atual e futura do Partido Trabalhista.

O Ser Humano criança inicia seu recado detalhando seu método para atingir seus objetivos: Arrecadar US$ 300 para uma campanha que assegura água limpa e segura a comunidades carentes na África.

O Ser Humano adulto justifica o ato que irá concluir sozinho dali a poucas horas: Destruir o Partido Trabalhista por aceitar a entrada de mulçumanos que estariam destruindo a identidade e valores cristãos e nacionais de seu país.

O Ser humano criança justifica o ato que pretende concluir dali a alguns dias: "No dia 12 de junho de 2011, vou fazer 9 anos. Descobri que milhões de pessoas não vivem até seu quinto aniversário. E por que? Porque elas não têm acesso à água limpa e segura...",

O Ser humano adulto usará o terrorismo como um meio de despertar as massas para sua causa.

O Ser Humano criança usará seu aniversário como um meio de despertar seus amigos e familiares para sua causa: “...: Por isso estou celebrando meu aniversário de maneira diferente. Estou pedindo para todo mundo que eu conheço que doem à minha campanha em vez de me dar presentes no meu aniversário".

O Ser Humano adulto já sabe e admite que será lembrado como “o maior monstro nazista desde a Segunda Guerra Mundial”.

O Ser Humano criança não pretende e não sabe que será lembrado por pessoas que nunca viram seu rosto, nem sabem seu nome.

O Ser Humano adulto abandona um carro-bomba no centro de Oslo.

O Ser Humano Criança aprecia a paisagem pelo vidro do carro que se movimenta pela estrada de Seattle.

O Ser Humano adulto sente a explosão do carro abandonado matando 8 outros Seres Humanos.

O Ser humano criança não tem tempo de perceber o carro que o conduz se envolver em um engavetamento com outros 12 carros.

O Ser Humano adulto se dirige para a colônia de férias na ilha de Utoya onde jovens entre 14 e 17 anos participam de um acampamento.

O Ser Humano criança é levado ao hospital.

O Ser Humano adulto continua sua cruzada atirando nos freqüentadores da colônia de férias. Outros Seres Humanos perdem suas vidas.

O Ser Humano criança é mantido vivo por aparelhos hospitalares.

Muitos outros Seres Humanos mortos. O Ser Humano adulto concluí seu objetivo.

Os pais do Ser Humano criança autorizam o desligamento dos aparelhos e a doação de seus órgãos. O Ser Humano criança conclui sua vida.

Milhares de outros Seres Humanos, em todo o mundo, perplexos diante das imagens do resultado da ação do Ser Humano adulto.


Alguns Seres Humanos, em algumas partes do mundo, perplexos diante da notícia da morte do Ser Humano Criança.

Após as imagens da ação do Ser Humano adulto, muitos outros Seres Humanos se perguntaram: Que sociedade estamos criando? Em que mundo estamos vivendo?

Longe de mim querer plagiar o palestrante professor, mas a resposta é simples.

O Ser humano adulto continua sendo notícia até hoje, 12 dias após sua ação, nos meios de comunicação em todo o mundo.

O Ser Humano criança foi notícia em alguns meios de comunicação em alguns lugares do mundo durante poucos (poderia até dizer 2) dias. Aqui no Brasil sua ação foi menos comentada que a declaração de Sandy à revista Playboy: “É possível ter prazer anal”. Frase, descoberta dias depois, que foi publicada fora do contexto da entrevista.

Será que no lugar de um mundo sem paraíso e inferno, sem país, religião, ganância, poder ou fome estamos criando um mundo sem razão, sem esperanças como muitos acreditam?

Mais uma vez a resposta é simples.

Balanço da ação do Ser Humano adulto: 77 outros Seres Humanos mortos.

Balanço da ação do Ser Humano criança: A ONG que o Ser Humano criança iria doar US$ 300, em apenas alguns dias após sua morte arrecada mais de US$ 165 mil, para levar água a 8.290 pessoas carentes na África.

O Ser Humano adulto vivia na localidade de Coursnanel, no sul da França sem contato com seus pais há 15 anos.

O Ser Humano criança vivia em Seattle, nos Estados Unidos com seus pais.

O Ser Humano adulto chamava-se ... bom... não me interessa como se chamava esse ser.

O Ser Humano criança chama-se Rachel Beckwith.

Dias depois da ação do Ser Humano adulto, seu pai declara: “Acho que meu filho deveria ter se suicidado, em vez de matar tantas pessoas”.

Dias depois da morte do Ser Humano Criança sua mãe posta a mensagem: “Estou impressionada com o imenso amor para transformar o sonho de minha filha em realidade. Diante da dor inexplicável, vocês forneceram uma esperança inegável. Obrigado por sua generosidade. Eu sei que Rachel está sorrindo!".

Caro amigo, esclareço que essas linhas têm o objetivo de levar Rachel Beckwth ao conhecimento de quantos outros Seres Humanos for possível. Tudo bem se você seja o único a entrar nesse blog e passar a conhecer Rachel Beckwth. Para mim já é mais um que conhece o farol que acredito iluminar o caminho para a criação do mundo que eu acredito, do mundo que quero fazer parte, do mundo que quero ajudar a criar.

Você, caro leitor, que mundo está criando? Se for o mesmo que o meu, sempre que possível divulgue as Rachel Beckwth que existem em todo o mundo. As vezes, muito mas perto do que pensamos. Como avistá-las? Simples, basta virarmos o farol para nós mesmos.

quarta-feira, novembro 18, 2009

Ministra Dilma Rousseff – Um sábio chinês ou uma borboleta?

“Era uma vez um sábio chinês
Que um dia sonhou
Que era uma borboleta
Voando nos campos
Pousando nas flores
Vivendo assim um lindo sonho
Até que um dia acordou
E pro resto da vida
Uma dúvida lhe acompanhou:
Se ele era um sábio chinês
Que sonhou que era uma borboleta?
Ou se era uma borboleta
Sonhando que era um sábio chinês?”

O Conto do Sábio Chinês
Composição: Raul Seixas


Caro amigo,

Sei que tem conhecimento que por Lei, uma campanha eleitoral somente pode iniciar seis meses antes do pleito.

Acredito que mesmo perdido (propositadamente, talvez) em algum lugar desse mundão, deve estar acompanhando as andanças de nosso Presidente Lula e de nossa ministra Dilma Rousseff por esse país, por isso, escrevo para que não fique preocupado, pois o que parece não é.

Ninguém está cometendo irregularidades. Estou certo do que digo porque o próprio presidente Lula, a ser questionado, respondeu dizendo que não há nenhuma campanha eleitoral em andamento, como não há nenhum candidato à Presidência.

Correto Presidente. Como Vossa Excelência pode pedir votos a um candidato se não há nenhum registrado no momento?

Será que nós, cidadãos comuns, não compreendemos isso?

O culpado por essa confusão de interpretação dos atos do nosso presidente é o tal do nosso paradigma. É simplesmente impressionante. Analise comigo: Lula tem aparecido falando para vários grupos de pessoas. Como para nossa mente qualquer pessoa em cima de um palco, falando em um microfone, para mais de duas pessoas (no caso de Lula muito acima de duas pessoas comuns) é um discurso, pronto, cometemos a calúnia de dizermos que o nosso presidente Lula está fazendo comício, campanha eleitoral, o que seria ilegal antes de 06 de julho de 2010.

Mas explica Lula que apenas sai para passear e algumas pessoas (entenda-se um número que justifica um palco e um microfone) se juntam e pedem para ele falar.
Então o presidente fala. Fala dos amigos que admira, fala de seus sentimentos e na maioria das vezes fala das duas coisas juntas quando fala (novamente) da amiga Dilma Rousseff que em sua opinião, originada de seus sentimentos, seria uma grande sucessora sua.

Não consigo compreender o porquê de tantas críticas em nosso presidente elogiar a amiga Dilma Rousseff a várias pessoas (que por acaso carregam faixas, cartazes, tiram fotos) que param para ouvi-lo. Conforme o próprio presidente diz: “Que mal há nisso?”. De fato, nenhum presidente.

Aproveitando, não entendo outra crítica do povo brasileiro em relação a ministra, desculpe, a candidata amiga de Lula, não a amiga de Lula, cara não sei de quem to falando agora, mas enfim, Dilma Rousseff por ter ficado muitas horas, dias, meses sem aparecer em seu local de trabalho.

Incrível como é difícil entender que no século XXI, em plena era do teletrabalho, do home Office, ainda para muitas pessoas um cidadão somente trabalha quando está no prédio, na sala, na mesa destinada a ele. No caso da nossa ministra, a Casa Civil.

Dilma Rousseff não está em sua mesa, mas tem exercido arduamente sua função de ministra. Prova disso é que a ministra, ou seja, a amiga candidata de Lula, nas horas necessárias para se alimentar tem saboreado costela de tambaqui e filé ao molho de cogumelos com a cúpula do PT e do PMDB, tem dividido garrafas de vinhos tinto com Lula ,José Sarney, Renan Calheiros e Romero Jucá, tem jantado com a bancada do PP, partido que tem Paulo Maluf com mebro.

A ministra também foi vista, literalmente, no Oásis (casa de festa de Brasília) para a prática de networking (digno de dar inveja a Max Gehringer) com o ex-presidente do partido processado pelo Supremo Tribunal Federal com um dos representantes dos mensaleiros (grupo de parlamentares que recebia propina para apoiar o governo no congresso), Valdemar Costa Neto, com o dono do castelo investigado por decoro parlamentar, Edmar Moreira e com ex-governador e ex-grevista de fome do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho.

Nas horas merecidas de descanso tem sido vista em shows de música popular, tem exercido trabalho voluntário como por exemplo fiscalizado obras nas margens do Rio São Francisco (onde estava em caravana por três dias com Lula), tem inaugurado estádio de fudebol em Araraquara, tem aparecido em evento político em Minas, tudo na hora do descanso de sua função pela qual é paga por nós.

Sobre ser a ideal sucessora de Lula, nosso presidente mais uma vez tem razão. Não por sua declaração, por minha confiança em seus tão apurados sentimentos, mas pelo que a própria Dilma Rousseff mostrou quando foi questionada por jornalistas sobre a corrupção, escândalos e desvio de dinheiro no Congresso. Respondeu a amiga ministra que parece candidata: “Não sei de nada”. Teria alguém melhor para suceder nosso presidente Lula?

Presidente, sobre o paradigma com palanque, alto-falantes, microfones, povão, discurso, comício, já estou curado. Agora quanto a sua amiga ministra tenho certeza que sábio chinês ela não é, agora borboleta....

quarta-feira, novembro 11, 2009

Eu, cidadão comum? Só se for no meu país.

“Um país que crianças elimina
Que não ouve o clamor dos esquecidos
Onde nunca os humildes são ouvidos
E uma elite sem deus é quem domina
Que permite um estupro em cada esquina (...)
Pode ser o pais de quem quiser
Mas não é, com certeza, o meu país

Um país onde as leis são descartáveis
Por ausência de códigos corretos
Com quarenta milhões de analfabetos
E maior multidão de miseráveis
Um país onde os homens confiáveis
Não têm voz, não têm vez, nem diretriz
Mas corruptos têm voz e vez e bis

(...) Que não pode esconder a cicatriz
De um povo de bem que vive mal
Pode ser o país do carnaval
Mas não é com certeza o meu país

(...) Um país onde escola não ensina
E hospital não dispõe de raio - x
Onde a gente dos morros é feliz
Se tem água de chuva e luz do sol
Pode ser o país do futebol
Mas não é com certeza o meu país

(...) Um país que engoliu a compostura
Atendendo a políticos sutis
Que dividem o brasil em mil brasis
Pra melhor assaltar de ponta a ponta
Pode ser o país do faz-de-conta
Mas não é com certeza o meu país”

Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo

O Meu País
Zé Ramalho
Composição: Livardo Alves - Orlando Tejo - Gilvan Chaves


Caro amigo,

Infelizmente não tenho notícias boas para contar. Veja que um Senador do PTB de Alagoas, ex-presidente cassado se candidatou para entra para a Academia de Letras de Alagoas. No lugar de livros, já que não tem nenhum, apresentou seus artigos publicados em jornais. O plural limita-se a dois: “Brasil: um projeto de reconstrução nacional” e o seu primeiro discurso na volta ao Senado: “Relato para a história: a verdade sobre o processo impeachmment”. Até ai, tudo bem, a notícia não seria ruim em um país democrático. A coisa ficou trágica no dia 02/09/2009 quando se tornou imortal. É isso mesmo. Fernando Collor de Mello entra para a Academia de Letras de Alagoas

Diante desse fato, não posso deixar de me redimir por não ter parabenizado Paulo Coelho que com seus livros de autoajuda, tem ajudado a tanta gente, sem contar com as grandes composições que produziu em parceria com Raul Seixas. Parabéns por ser tornar imortal entrando para Academia de Letras.

Aproveitando, caro amigo, a mulherada vai reclamar ainda mais porque começou a ficar difícil assistir televisão sem o controle remoto em mãos, com os dedos prontos para trocar de canal. Paulo Maluf vem aparecendo nos intervalos das programações das redes abertas de televisão na propaganda de seu partido.

Falando em partido, veja essa: O PSDB precisava de uma empresa especializada para elaborar a campanha de 2010 na web. Contratou a Loops, empresa especializada em internet. A propaganda na internet promete ser a ‘menina dos olhos’ dos partidos políticos para a próxima campanha.... Aí...bom...pois é.... caramba estou aqui pensando e não me recordo o porquê entrei nesse assunto. Até lembrei de Arnon de Mello, filho de Fernando Collor de Mello, que é um dos sócios da Loops, mas não lembro mesmo porque comecei a falar do PSDB para você. Vamos esquecer esse assunto que agora quero contar sobre a humilhação que eu e outros milhões de brasileiros passamos.

Algumas estações de metrô de São Paulo tem bibliotecas onde todo cidadão comum pode pegar livros emprestados. Louvável iniciativa.

Como cidadão comum, fui até uma dessas bibliotecas me cadastrar levando em mãos foto, carteirinha do convênio médico, crachá da empresa onde trabalho, xerox do RG e CPF, cartão do banco e até cartão de crédito internacional (na validade). Sorridente a atendente diz: “Faltou o comprovante de residência”. Implorei dizendo que tinha certeza que morava no endereço que estava falando. Sem resultado. Ofereci o celular para ligar e confirmar o endereço. Nada adiantou, precisava provar que residia onde dizia morar. Única forma era mostra uma correspondência entregue em meu nome, no endereço que jurava morar e residir. Ah! Tinha que ser recente. Dois dias depois voltei com o extrato bancário. Sorridente a atendente diz: “Senhor, faltou a xerox do comprovante de residência”. Nesse momento me dei conta de duas tristes realidades. Se é preciso guardar a xerox do comprovante de endereço é porque minhas palavras e a honestidade da atendente em confirmar que viu o comprovante de endereço não tinham valor nenhum. Analisando as duas situações, lamentei mais pela da atendente. Voltei na semana seguinte com a xerox do comprovante de endereço. Sorridente a atendente diz: “Prontinho. Se desejar o senhor já pode escolher um livro para ler”.

Dias depois descobri que outro cidadão comum passou pela mesa situação. Seu nome? Ciro Gomes. Para garantir a possibilidade de candidatar-se ao governo de SP, passou a ter seu domicilio eleitoral nessa cidade. Tudo muito simples. Arrumou um endereço fictício, ficou quatro horas na cidade da garoa e assinou em cartório documento garantindo que reside no endereço apresentado. Isso tudo foi suficiente para a Justiça Eleitoral acreditar que Ciro Gomes reside em São Paulo. (mesmo morando no Ceará??)

Xiiiii, bico calado, faz de conta que sou mudo, cego e burro.

sábado, março 22, 2008

Aedes Aegypti político

Caro amigo

Há muito espero notícias de você e de sua família. Há muito esperamos seu retorno. Porém, escrevo essa carta para dizer que, se conseguiu ler meus recados e pretende nos fazer uma surpresa, não venha nesse momento. Não volte para o Brasil nesse momento.

Lembra do Carioca, foi passar o fim do ano com sua família no Rio de Janeiro. Nosso amigo, sua filha do meio e seu filho caçula voltaram com dor no corpo e febre alta. Procuraram ajuda médica onde foi diagnosticado uma forte gripe e receitado antibióticos. Como continuavam com os mesmos sintomas e cada vez mais fracos, voltaram ao hospital e descobriram que estavam com dengue. O filho caçula do tipo hemorrágica.
Os três ficaram internados em estado grave. Os médicos chegaram a dizer para a mãe que, casos como do menino caçula, 96% tinham o óbito como resultado.
A família chama de milagre, o fato é que hoje estão todos em casa.

Mas outros brasileiros, principalmente nossos irmãos cariocas não têm a mesma sorte.
Mas uma vitima de dengue foi enterrada na cidade maravilhosa.
Ontem os jornais mostraram a falta de atendimento e o pouco caso das autoridades para com a população que procura os hospitais.
Mais uma vez o cidadão brasileiro sofre pela incompetência da turma do nosso presidente.
Assim como é de praxe, nosso governo terá que correr para apagar incêndio. Mas isso só começará após esse feriado.

Foi difícil dormir essa noite com a imagem de milhões de brasileiros caminhando de joelhos, chorando ‘uma culpa’ por fatos ocorridos milhões de anos atrás enquanto um pai aguardava com sua filha desmaiada em seu colo, com todos os sintomas da dengue, o milagre de ser atendido por um médico.

A história novamente será escrita por nós. A escolha de quem será crucificado está em nossas mãos. A população ou nosso governo? Podemos decidir nas próximas eleições.

A imagem desse pai e filha é presente. Para essa culpa, não precisamos esperar milhões de anos para chorar, podemos derramar nossas lágrimas agora.

Assinado: (Metrô Linha 743).

sábado, março 08, 2008

Nossa Tropa de Elite

“Homem de preto o que que você faz?
Eu faço coisas que assustam Satanás.
Homem de preto, qual é sua missão?
Entrar pela favela e deixar corpo no chão”

Homem de Preto
Tropa de Elite

Caro amigo, lembra do Magal? Aquele que brincava de guerra de mamona com a gente? Foi morar no campo com a idéia de criar galinha mas, por falta de dinheiro, nem cachorro conseguiu ter. Há um ano estava só sorriso com o tal do programa ‘Luz para Todos’ do nosso presidente que tinha como objetivo tirar da escuridão 12 milhões de brasileiros que vivem no campo e não tem acesso a energia elétrica. Tem que vê, Magal voltou a sonhar com sua criação de galinhas, sua exportação de galeto, aliás, falando em sonhar, ele confessou orgulhoso que contribuiu para reeleger nosso presidente. Falando nele, ‘tadinho’, tão ingênuo não sabia, como nunca sabe de nada, que para tirar a escuridão dos honestos brasileiros do campo era preciso primeiro tirar os gatunos políticos brasileiros do caminho.

Assim nosso amigo entrou em depressão. Fui visitá-lo. Sua esposa e seus cinco filhos me contaram que tem meses que perceberam nosso amigo deixando essa vida sem poderem fazer nada. Diferente do nosso presidente, os filhos do nosso amigo foram obrigados a envergonhar a mãe roubando maçãs para não morrerem de fome. Sua esposa seguiu todos os conselhos dos amigos. Procuraram padres, pastores, benzedeiras, pajés, pais-de-santo, mas Magal cada dia pior. Um farmacêutico que apareceu por lá receitou remédios que o posto de saúde da cidade mais próxima nem conhecia. Logo que soube do ocorrido, comprei os remédios e mandei para ele. Felizmente melhorou muito nos últimos dois meses. Já pensa em trabalho, em progredir, em entrar para a estatística de desenvolvimento humano. Está entusiasmado com o novo programa do nosso presidente chamado ‘Territórios da Cidadania’ onde o governo irá destinar 11,3 bilhões a 958 municípios de todo o pais com o objetivo de reduzir a pobreza em áreas rurais de baixo desenvolvimento social, melhorando o IDC – Índice de Desenvolvimento Humano.

Ainda tenho a imagem no nosso amigo quando nos despedimos. Já estava no portão de sua casa quando Magal gritou meu nome. Sorrindo me virei para nosso amigo. Magal levantou o braço para o alto encheu seus pulmões de ar e gritou: “Amigo, eu tenho orgulho de ser brasileiro. Agora chegou a minha vez. Vai dar tudo certo pode apostar. Tenho fé em Deus”.

Forçando o sorrido que já tinha pegado suas malas e partido do meu rosto, comecei a andar pela estrada de terra. Não parei no local onde pegaria o ônibus até a primeira cidade com rodoviária. Continuei andando de mochila nas costas, mãos fechadas, unhas cravadas na pele. Não via o mato ao meu redor, a terra seca abaixo de meus pés, nem percebia o sol escaldante em minha cabeça.

Nessa hora gostaria de ter me lembrado da foto sensual da jornalista de Renan Calheiros que virou notícia, ter pensado na utilidade que suas futuras palestras podem ter, mas lembrei-me apenas do pedestal de seu microfone quando encheu de ar os pulmões e disse: “Rapaz, para tirar o coco, não basta balançar o pé que ele não cai. Quem quiser, vai ter que subir no pé e retirar o coco com as próprias mãos”.

Você, seja em que lugar do mundo se encontra, eu e tantos outros milhões de brasileiros por comodismo, por hipocrisia, por indiferença, por tantas outros interesses pessoais ou falta de, não subimos em nenhum dos coqueiros para tira o coco. Por isso também fazemos parte de uma tropa que deixa corpos vivos pelo chão da cultura, da igualdade, da educação, da saúde, da dignidade, da esperança, da paz.

Na verdade, caro amigo, não usamos preto mas também fazemos coisas que assustam Satanás. Naquele fim de mundo estive com uma vítima de perto. Nosso próprio amigo.

Assinado: (Metrô Linha 743).

sábado, junho 16, 2007

Relaxa e Goza

“Eu quero gozar no seu céu
Pode ser no seu inferno
Viver a divina comédia humana
Onde nada é eterno...”

Divina Comédia Humana
Belchior

Lula passou a semana criticando a imprensa por prejudicar o turismo em nosso país.

Realmente presidente quando ouvimos falar em Pernambuco, Ceará, Bahia, podemos incluir Rio de Janeiro, sempre tem a criminalidade envolvida assim quando ouvimos falar em política sempre tem a corrupção dominando o tema.

Mas agora que o Senhor conscientizou a sociedade que a inflação está controladinha e aqueles que lucravam com essa inflação agora terão de trabalhar para ganhar dinheiro, o cenário brasileiro irá mudar. Não só o turismo, mas todos os setores da sociedade irão crescer.

Podemos citar alguns exemplos que poderão fomentar essa mudança tão desejada pelo Senhor,

Romeu Tuma, tendo de dar duro no batente terá tempo para solicitar o depoimento de Mônica Veloso, o Senador Epitácio irá ser mais diligente com relação ao processo de seu colega Renan Calheiros desistindo de seu arquivamento.

Essas duas atitudes irão poupar que uma emissora de TV tenha de fazer de seus repórteres, detetives particulares para suprir a deficiência de quem tem a responsabilidade e o dever de esclarecer os fatos. Com isso, tal emissora poderá mostrar as belas praias de Pernambuco, o magnífico por do sol do Ceará, a alegria contagiante do povo baiano e a beleza do Rio de Janeiro, fazendo nossos telejornais mais agradáveis de serem vistos.

Por isso, Senhor presidente, caso a imprensa continue noticiando as verdades do nosso país e nossos governantes continuarem vivendo nessa divina comédia política, o único conselho que tenho ao senhor é o mesmo que foi dado aos passageiros ‘apagados’ nos aeroportos brasileiros: Relaxa e goza.

Desculpe se estou cometendo o mesmo erro de sua companheira Marta mas, assim como a nossa Ministra, também não tenho a intenção de desdenhar, muito menos, minimizar os transtornos vividos pelo Senhor.

Já que na maioria das vezes o senhor não sabe de nada que ocorre ao seu redor, antes de terminar, como de irmão pra irmão, ou melhor, de companheiro para companheiro, quero fazer um comentário que pode ser apenas uma ‘neura’ minha. Pelo conselho que sua companheira Marta Suplicy deu para os passageiros que sofreram com o ‘apagão aéreo’, pode estar pulando para o partido de Paulo Maluf. Presta atenção, Senhor presidente ou o senhor tem saudades da inflação?

Assinado: (Metrô Linha 743).

quinta-feira, junho 07, 2007

E a nossa pátria mãe continua dormindo.

“Num tempo página infeliz da nossa história,
passagem desbotada na memória
Das nossas novas gerações
Dormia a nossa pátria mãe tão distraída
sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações
Seus filhos erravam cegos pelo continente,
levavam pedras feito penitentes
Erguendo estranhas catedrais”

Vai Passar
Chico Buarque
Composição: Chico Buarque e Francis Hime


Os anos se passaram, mas nossa pátria mãe continua dormindo e as tenebrosas transações que nossos pais só podiam falar ao pé do ouvido, hoje são histórias de crianças perto do que vem ocorrendo. O que eu quero lhe dizer, caro amigo, é que a coisa continua preta.

De tempos em tempos uma nova operação da polícia federal trás a público modelos de métodos de gestão financeira, gestão de pessoas, técnicas de negociação, modelos de marketing de rede, trabalho em equipe, liderança, é uma verdadeira escola de negócios desenvolvida e realizada não por estudantes de Harvard e sim por estudantes da escola do crime.

Não muito tempo um bando de sanguessugas atacaram o país. Não vou detalhar essa operação, pois como bem sabe, sempre tive medo dos filmes de vampiros. E olha que não estava errado, pois a polícia conseguir capturar e levar para gaiola vários vampiros do bando. Hoje a gaiola está vazia. Vampiro é assim mesmo. Deus me livre deles.

A novidade no momento é a invenção de uma nova religião denominada Cleptobudismo. Entre seus servos mais famosos, denominados cleptobudistas, tem ministros, governadores, prefeitos, deputados, funcionários públicos, empresários. O mentor chama-se Zuleido Soares Veras. Na verdade não sei se é uma religião, seita, filosofia de vida ou ‘sabe lá o quê’. O que sei é que seus adeptos provam que com confiança cega em seu mentor, força de vontade, determinação, crença no país e confiança em nossa justiça, conseguem alcançar objetivos inimagináveis, entre eles, enriquecer rapidamente e de tal forma que garanta não só a sua geração como a de seus tataranetos.

A sede, de onde o mentor zela pelos objetivos dessa ‘sabe lá o quê’ é chamado de Gautama em homenagem ao Buda. Mais condizentes com um mundo globalizado, seus membros diferentemente de religiões conhecidas, não têm local específico para se reunirem como igrejas, templos, centros espirituais ou terreiros. Se reunirem em lugares diversos como o Tribunal de Contas da União, Tribunal Superior Eleitoral, prefeituras, empresas particulares, ministérios, onde você menos espera pode existir reuniões de cleptobudistas.

O que mais chama a atenção nessa ‘sabe lá o quê’ é a união de seus seguidores. A irmandade é tão enraizada que no caso de um irmão precisar de uma lancha para passear, como em um passe de mágica uma superlancha aparece. Precisa viajar com urgência para um lugar distante? Um jatinho é disponibilizado a você no aeroporto. Despesas financeiras fora de seu orçamento como pensão alimentícia, aluguel, gastos com campanhas, cirurgia plástica para a esposa, viagem ao exterior com o cônjuge? Um irmão da fraternidade paga suas contas. O fascinante dessa ‘sabe lá o que’ é que você usa o jatinho, a lancha, tem seus problemas financeiros resolvidos e não precisa saber qual foi o irmão que forneceu tudo isso. Aliás, você nem pergunta, faz parte dos dogmas dessa tal de Cleptobudismo.

A única exigência para todos cleptobudista é decorar o mantra que são obrigados a repetir em situações específicas. As sílabas que compõem o mantra a ser pronunciado em bom tom, com convicção e na velocidade certa, forma a frase: ‘Eu não sei de nada’.
Para melhor compreender, faço uma analogia com o organograma da igreja católica da qual conhecemos bem. Vaticano = Gautama / Papa = Zuleido Soares Vera / Padres = Lobistas / Adeptos = Ministros, prefeitos, deputados, senadores, empresários, funcionários públicos, e quem mais chegar.

Foi gravado um documentário onde mostra o mentor dessa ‘sabe lá o que’ usando suas técnicas, estratégias, modelos de liderança, ensinando como lidar com pessoas, como fazer amigos, tudo em estilo de auto-ajuda. Ainda não está a venda, mas se até dados da receita federal foram parar nos camelôs das ruas de São Paulo, logo deve chegar esse DVD. Prometo que guardo uma cópia para mandar a você.
Minha esposa aproveita para mandar um beijo para os seus. Meu abraço a todos também.

Assinado: (Metrô Linha 743).

quarta-feira, maio 30, 2007

... e do relacionamento entre Temporão e Zeca, nasce o Decreto Anticerveja.

“Ai, que conflito
Roubaram o cabrito do seu Benedito
O couro virou tamborim da escola
A carne do bicho entrou no palito
Benedito ao dar falta do bode
Chegou no pagode com cara de aflito
Pegou o churrasqueiro e deu logo um sacode
Encheu de bolacha o Zé Periquito
Deu tiro na bola, parou a pelada
Que era apitada por Dão Esquisito
Que ao ver Benedito baixando a madeira
Ficou de bobeira engoliu o apito
Mas tinha um tal de Caroço
Que chupava um osso igual pirulito
Esse, Benedito agarrou no pescoço
E atirou no poço na hora do atrito
Pior pro cara do pandeiro
Que cantava maneiro e versava bonito
Mas ganhou uma banda, caiu no braseiro
E gritava bombeiro, me acode, eu tô frito é conflito”

Conflito
Barbeirinho do Jacarezinho / Marcos Diniz
Interprete: Zeca Pagodinho

Por paradigma um conflito é por natureza negativo mas Temporão e Zeca comprovaram que isso não é verdade gerando e agraciando nossa sociedade com o Decreto Anticeveja.

Agora, não quero ser nenhum Benedito mas muito mais gente ‘bebeu’ esse bode.

Tenho uma filha de 15 e uma de 06 anos. A primeira adora ‘axé’, conhece todas as bandas, cantoras e músicas ligadas a esse segmento. Samba, e tudo que se relaciona a esse tipo de música, não faz sua cabeça. A segunda além de programas infantis gosta de música o que para ela é sinônimo de ‘axé’, conhece todas as bandas, cantoras e letras de músicas ligadas a esse segmento. Igual a irmã, samba, e tudo que se relaciona a esse tipo de música, não faz idéia do que seja.

No fim do ano passado uma cantora de axé, profissional de primeira qualidade, carismática, bonita, sucesso reconhecido por todos os cantos do Brasil encantou seus fãs, e aqueles que ainda não tinham caído na sua rede, como apresentadora de programa musical em emissora de primeira linha nas tarde nobres dos finais de semana atingindo, da criança ao mais velho ser humano vivo neste país.

Nossa rainha da música é um fenômeno.

No inicio do ano nossa rainha da música vem para as telonas do cinema em filme de outra rainha (dos baixinhos) para presentear as crianças com sua interpretação nos contos de fadas.

Primeiras horas de janeiro e as propagandas de televisão mudam para novo foco: o carnaval. Em ritimo de samba, Zeca Pagodinho chega com sua voz e imagem para indicar a sua cerveja. Praticamente junto, a nossa rainha da música aparece com sua imagem e voz para indicar a sua cerveja em ritmo de axé contagiante.


Minhas duas filhas não sabem o nome da cerveja de Zeca Pagodinho, mas há um mês, muito tempo depois do final das campanhas das cervejas, em um almoço de domingo, o simples fato de minha filha menor ouvir a palavra ‘cerveja’, já começou a dançar e a cantar, corretamente os versos da música da propaganda da cerveja da nossa rainha da música.

Não quero dar sacode, encher alguém de bolacha, parar uma pelada e muito menos jogar alguém no poço ou em um braseiro, mas se Zeca é patético por apresentar um produto para seu público exclusivamente adulto e Temporão é incompetente por externar algo que o incomodou, como vem sendo dito, qual a definição para a nossa rainha da música (de público infantil, adolescente e adulto), qual a definição para as empresas de publicidade que idealizam essas propagandas, qual a definição para as empresas proprietária dos produtos da campanha, qual a definição para nós, telespectadores, que vemos, ouvimos, nos incomodamos e nada fazemos para mudar além de beber e dançar?

Louvados sejam nossos protagonistas Temporão e Zeca por colocarem fogo em mais um problema social fazendo com que a fumaça se espalhe por lugares distantes e assim, obrigando nosso governo federal, inerte a tudo, correr atrás para apagar o incêndio (como é de seu perfil).

Temporão e Zeca, fica aqui meu convite para tomarmos um Guaraná ouvindo Marina Aydar cantando Tom Jobim com fundo musical de Nação Zumbi mixadas pelo DJ Patife pois como diz o Zeca, cabra e cabrito é a mesma coisa.

Assinado: (Metrô Linha 743).

quarta-feira, abril 18, 2007

O Apagão Aéreo e a Escuridão Nacional

“Bossa-nova mesmo é ser presidente
Dessa terra descoberta por Cabral
Para tanto basta ser tão simplesmente
Simpático, risonho, original
Depois desfrutrar da maravilha
De ser presidente do Brasil”

Presidente Bossa Nova
Juca Chaves

Palavras do presidente

“ As pessoas precisam aprender que, no regime democrático, o respeito às instituições e à hierarquia é fundamental”
“ Não é possível, não é politicamente correto, e não é justo que brasileiros e brasileiras fiquem sei, sete horas nos saguões dos aeroportos esperando um avião que nunca aparece”
“ Não existe nenhum movimento, por mais justo que seja, que justifique terceiros pagarem a conta”
“ A única coisa que peço aos controladores é que se quiserem fazer alguma coisa, algum protesto contra qualquer pessoa, que façam, mas não prejudiquem o povo. Porque as pessoas querem viajar, trabalhar, ter o mínimo de tranqüilidade. Estou confiante que os controladores civis e militares vão compreender toda a crise”.
“ Após enfrentar problemas com empresas aéreas, com controladores de vôo, e com a falta de manutenção em equipamentos, o governo tem hoje ‘um diagnóstico correto’ da situação dos aeroportos”.

Palavras dos controladores de tráfego aéreo

“Pedimos perdão à sociedade e paz para voltarmos a executar com maestria nosso trabalho. A Associação Brasileira dos Controladores de Tráfego Aéreo não medirá esforços para reconstruir a imagem de seus representantes assim como lutar por sua dignidade”.

Palavras deste pasmo cidadão brasileiro ...


... aos controladores de vôo.

Senhores controladores, louvável a humildade de pedir perdão mas desnecessária. Perdoamos os ridículos aumentos para os aposentados, perdoamos o péssimo nível de nossas escolas públicas. Perdoamos o mensalão, os dossiês, as barbáries de criminosos com diplomas ou não. Perdoamos o despreparo da organização policial quando o crime organizado apavorou São Paulo, perdoamos o ônibus queimado, o índio incendiado. Perdoamos a inocência do presidente em não saber de nada assim como perdoamos sua ineficiência por não saber de nada. Perdoamos a dança da elefantinha, perdoamos até Paulo Maluf.
Após tantos perdões, quem somos nós para culpá-los. Aliás, tenho dúvidas se é o caso de perdoá-los pelos transtornos causados a nós brasileiros que queremos apenas viajar, trabalhar, ter o mínimo de tranqüilidade ou agradecê-los por, na precária condição em que trabalham, terem salvado nossas vidas até o momento.

... ao nosso querido presidente.

Parabéns Senhor presidente por mostrar que, diferente de outros acontecimentos, está mais atento com tudo que aconteceu na sociedade que, por escolha democrática, está em baixo de suas asas. Continua não sabendo como resolver, mas saber o que acontece praticamente minutos depois de ser anunciado em toda mídia eletrônico e escrita mostra um grande progresso.
Brilhante possuírem um diagnostico correto da situação dos aeroportos. Infelizmente foi após a perda de várias vidas na queda de um avião, após o caos nos aeroportos, mas tudo isso foi apenas um mero acaso, né Senhor presidente?

Sabe, Senhor presidente, que observando os acontecimentos ocorridos em nosso país, à atitude do Estado frente a esses problemas e seus pronunciamentos, também foi possível fazer um ‘diagnóstico correto’ do nosso governo. Diferente do seu diagnóstico, usado como ferramenta para apagar incêndio utilizarei o meu como prevenção. Após ter conhecimento do seu raciocínio lógico para atuar nos problemas de nossa sociedade, passo a não desejar mais o fim da miséria, o fim da violência, o fim da corrupção, erradicação da fome, políticos éticos, justiça, educação, crescimento do país e a paz. É preferível esperar o próximo governo.

A única coisa que peço ao Senhor, querido presidente, é que, se quiser ser um “Presidente Bossa-nova”, que seja, mas não prejudique o povo brasileiro.

Não é possível, não é politicamente correto e não é justo que brasileiros e brasileiras fiquem quatro, oito anos presos na escuridão das urnas políticas esperando um Brasil que nunca decola.

Assinado: (Metrô Linha 743).

quarta-feira, março 07, 2007

O Fenômeno Orkut e o Orkontro Baile do Magal

“Eu não tenho mais a cara que eu tinha
No espelho essa cara não é minha
Mas é que quando eu me toquei achei tão estranho
A minha barba estava desse tamanho”

Não Vou Me Adpatar
Arnaldo Antunes - Titãs

Caro Amigo, graça ao Orkut a turma do ginásio se achou. Vários encontros foram marcados. No último encontro deram a sugestão de fazermos um baile no mesmo estilo de antigamente. Até uma garagem já conseguimos achar. Confesso que voltei àqueles tempos onde ficava sentado com caderno na mão até de madrugada desenhando todo o sofisticado sistema de fiação para fazer aquelas benditas luzes piscarem. Então me sentei à frente do computador e comecei a esboçar o baile. De repente algo aconteceu que só fui descobrir duas horas mais tarde.

Devido ao horário avançado, pois já passava das 19:00hs (isso mesmo, sete da noite), eu dormi. O sono foi tão longo que me presenteou com um sonho. Sonhei com o baile, lógico. Cada um da turma chegando. Metade de óculos e a outra metade de lentes de contato, mas todos estavam lá. As meninas (modo de dizer) levaram a comida e nós, os garotos (opa! Que sonorização perfeita, vou até repetir) nós, os garotos, levamos as bebidas. A mesa estava farta. Sanduíches de patês lights, variados bolos (todos lights), amendoim de todos os tipos, diversos produtos de cereais, gelatinas de todos os sabores possíveis e aqueles misturados com creme de leite light, refrigerantes light e diet, sucos de soja, cerveja sem álcool, iogurtes desnatados, salgadinhos sem sal e batidas de Biotonico Fontora com ovo de pata ou Calcigenol batido com gelo.

Depois das conversas animadas às luzes se apagaram e a música lenta começou. A imagem foi estupefante. As meninas ao passarem os braços ao redor dos pescoços dos garotos logo perceberam que não conseguiriam encostar a mão direita na esquerda. Muitas disfarçaram e forçaram os braços, motivo pelo qual muitos garotos tiveram que parar de dançar por falta de ar. Os garotos, por sua vez, logo perceberam que muitas coisas nas meninas que ficavam na horizontal apontando para o futuro promissor agora apontavam para o centro da terra. O pior foi quando perceberam neles mesmos que, aquilo que ficava admirando o céu tão facilmente, agora nem rezando durante toda a dança para o mais novo Santo brasileiro deixava de mirar o inferno.

A ‘depre’ foi pairando no salão quando alguém gritou: TOCA DANCING DAYS. Foi uma injeção de Red Bull. Todos voltam para a pista. Dançávamos como nos velhos tempos, todos juntinhos na mesma coreografia. As luzes coloridas se apagam e é ligado o canhão estroboscopico. Calamidade total. Quem não conseguiu se apoiar em alguma coisa fixa despencou livre, leve e solto em direção ao chão.

Quando todos estavam em pé novamente uma sirene começa a tocar anunciando o som de ‘Os Embalos de Sábado a Noite’. As luzes voltam a piscar, jatos de gelo seco, um casal no meio do salão começa a dançar. Rapidamente os demais, dançando, fazem um circulo ao redor do casal. A garota abre as pernas subindo na cintura do garoto (tudo com muito respeito). O garoto gira, pega na cintura da garota e a joga para cima. A volta é um desastre. O barulho da cabeça da garota batendo no chão foi tão forte que algumas lâmpadas pararam de piscar. Mas tudo não passou de um susto. A garota ainda se levantava quando começa uma confusão na rua. Dois garotos brigando. Bengalas para todos os lados. Acordei. Senti o suor junto com o sangue escorrendo de minha testa.

Depois desse sonho, meu amigos, sugiro trocarmos o baile de garagem por um churrasco, e se possível, na parte da manhã.

Nota: É muito bom ter história, é muito bom ter passado. Amigos do JB, obrigado por fazerem parte da história de minha vida. Forte abraço.

Assinado: (Metrô Linha 743).

quinta-feira, março 01, 2007

A Arte de Tentar

“Vamos dar vidas aos grandes heróis.
Vamos em frente, bravos cowboy.
Avante! Avante! Super-Heróis.
Ai-oh, Silver!
Shazan.”

Super-Heróis
Raul Seixas / Paulo Coelho

Hoje, um jornal de distribuição gratuita de São Paulo publicou a foto de Serra, Chinaglia, Calheiros, Aécio e Cabral durante encontro onde os governadores do Sudeste cobraram pressa na aprovação de projetos sobre segurança. Todos sorrindo. Os governadores José Serra (SP),Spérgio Cabral(RJ), Aércio Neves (MG) e Paulo Hartung (ES) saíram da reunião com a garantia que o Congresso vai tentar adequar o calendário de votações às necessidades dos Estados.

Parabéns senhores governadores ficaram bonitos na foto. Garanto que vou tentar acreditar que a intenção dos senhores foi de extrema eficiência. Também vou tentar acreditar que o Congresso vai tentar adequar o calendário na tentativa de aprovar leis de segurança que, com certeza, terão a função de tentar diminuir a violência na sociedade brasileira.

Assinado: (Metrô Linha 743).

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

O Garoto: João Hélio Fernandes

“Se hoje tua mão não tem manga ou goiaba
Se a nossa pelada se foi com o dia
Te peço desculpas me abraça meu filho
...não sei se tentei tanto quanto eu podia
Se hoje teus olhos vislumbram com medo...
... Fujo do teu olho me abraça meu filho
Não sei se eu tentei mas você merecia"

Ao Nosso Filho Morena
Oswaldo Montenegro


Lamentável. Mas que diferença tem esse caso com os jovens que foram colocados em um poço onde provavelmente iriam morrer lentamente, com o garoto e seus pais que morreram após os bandidos colocarem fogo no carro em que estavam. Que diferença tem com as vitimas do ônibus incendiado ou as crianças mortas por bala perdida.

Nunca ouvi tantos absurdos como os que vem sendo proferidos após o drama da família do garoto João H. Fernandes que teve seu corpo arrastado por vários bairros do Rio de Janeiro em 07 de fevereiro de 2007. A sociedade levanta a bandeira em pró da redução da maioridade penal, como se o contexto do problema fosse simplesmente ser menor de idade. Será que se fossem todos maiores de idade a sociedade estaria achando um caso comum de violência? Será que foi por isso que a morte do garoto que estava no carro com seus pais quando os bandidos colocaram fogo não trouxe tanto repudio a sociedade,afinal, os bandidos eram todos maiores de idade.

No meio de tantas acusações, justificativas, possíveis punições, entrevistas, depoimentos, uma mesma frase se ouvia por todos os cantos: “Eles sabiam que o garoto estava preso no cinto”. Então comecei a compreender nossa sociedade. A indignação foi porque, sendo os bandidos avisados que arrastavam o garoto na certa deveriam parar o carro, verificar se estava machucado, arrumar suas roupas amassadas, pegá-lo no colo, entregá-lo a alguém. Então a multidão, antes enfurecida, iria aplaudir a atitude dos bandidos que por frações de segundos tornam-se humanos, civilizados. Pela atitude digna, a multidão abriria as portas do carro para que os menores possam retornar ao papel de bandidos, que são, e sair em disparada dando seqüência ao roubo do carro.

Com essas atitudes, talvez esses marginais se tornariam exemplos para a nossa sociedade política e os parlamentares pensariam nos chefes de família que precisam alimentar seus filhos com um salário mínimo. Aqueles políticos que fraudaram a previdência iriam devolver o dinheiro para os humilhados aposentados no nosso país. Outros devolveriam milhões de reais para a educação, para a saúde, para a assistência social, para a segurança, enfim, quem sabe até o ‘nunca saber de nada’ do nosso presidente, deixaria de ser aceito pela maioria do eleitorado brasileiro como justificativa para não assumir suas responsabilidades.

Mas, nossos políticos, aí é outra história. Logo que perceberam o abalo sísmico que ocorreu naquele carro provocando um grande tsunami na sociedade rapidamente entraram em ação. Pegaram suas pranchas e pegaram a onda criada pela própria sociedade chamada ‘redução da maioridade penal’ enquanto que as ondas chamadas ‘Celso Daniel’, ‘o perito do caso Celso Daniel’, ‘Neylton Souto da Silveira’, ‘Mensalão’, ‘Paulo Cezar Farias’, ‘Paulo Maluf’, ‘Não sei de nada’, ‘Aprovação de aumento de salários pelos parlamentares’, ‘mudançã de partidos após as eleições’, ‘José Dirceu’, ‘a dança da elefantinha’, ‘os dólares na cueca’, ‘os dossiês’, ‘Impunidade’ e a onda chamada ‘mix de escândalos do poder publico’ eram muito bem escondidas pelos surfistas.

Incrível a coincidência que encontrei nos desabafos de pessoa comuns sobre o ocorrido. Muitas são as mesmas que meses atrás diziam: “ Voto nele sim. Rouba, mas faz”. As mesmas que dão ibope às emissoras que exibem imagens de violência pura enrustidas na falsa desculpa da informação. São as mesmas que não perdem a novela das oito onde nunca matar foi tão simples e por motivos tão banais como nos últimos anos. Banal como os comentários e justificativas do nosso presidente sobre a violência no Brasil.

Bem, acho que já falei muita asneira, por isso, vou encerrar. Mas não antes de mostrar para os senhores leitores a pior de todas as asneiras que presenciei. Veio de Genebra e pasmem, de um brasileiro. Ele mandou um e-mail para uma revista de grande circulação comentando sobre o caso do garoto João. Seu e-mail diz o seguinte, na integra:

“O que falta para a sociedade brasileira exigir uma reposta séria para o problema da criminalidade do Rio? Quando leio notícias sobre criminalidade, pacote de crescimento, assassinatos, seqüestros, vejo que está longe o dia de poder voltar para o Brasil”.

Amigos leitores, não tenho palavras para comentar o e-mail desse, tão longe, brasileiro.

Não sei se tentamos tudo que podíamos, mas sei que João Helio e tantos outros, mereciam muito mais.

Termino com a palavra PAZ!

Assinado: (Metrô Linha 743).

segunda-feira, outubro 30, 2006

Eleições 2006 – O que ocorre com o povo brasileiro?

A palavra é perplexo. Foi assim que acompanhei o resultado das eleições 2006 para presidência. O que ocorre com o povo brasileiro?
Não consigo respostas a essa pergunta. As emissoras de televisão passam a transmitir à entrevista do nosso presidente reeleito. Minhas mãos começam a tremer, meu coração dispara. Imediatamente, tento me abster da televisão folheando uma revista que encontrei jogada em um canto da sala da casa onde estava. Começa uma luta entre meus ouvidos e meus olhos. Enquanto meus olhos captam as imagens da revista, meus ouvidos captam a voz do nosso presidente reeleito. Nessa disputa de meus olhos com meus ouvidos para ter a atenção de meu cérebro binário, minha garganta começa a se fechar, minhas mãos suam... Preciso de socorro. Preciso de uma resposta a minha pergunta.
Então milagrosamente minha mão vira a página da revista e meus olhos, conseguem captar uma reportagem que rapidamente transmitem ao meu cérebro. Este, por uma ‘vacilada’ do meu ouvido, ou uma pausa do nosso presidente para respirar ou para afastar as pontas de sua boca formando um sorriso para as câmeras, consegue trabalhar focado na informação que chega visualmente.
A reportagem informa o leitor que o governo brasileiro com o objetivo de analisar o desempenho da rede pública, aplicou o exame chamado Prova Brasil no ano passado. Resultado da análise: - Os alunos que concluem a 4ª série têm os conhecimentos que deveriam ter na 1ª série. – 97% dos brasileiros de 7 a 14 anos esta na escola. Os 3% restantes correspondem a 1,5 milhões de crianças e adolescentes. - De cada 100 alunos que entram na 1ª série, só 47 concluem a 8ª na idade certa, apenas 14 terminam o Ensino Médio sem repetir o ano e 11 conseguem ingressar no Ensino Superior.
Fecho a revista. Meu coração volta aos seus batimentos normais, minhas mãos já não tremem. A vida é uma caixinha de surpresa mesmo. Jamais pensei que, naquela revista jogada no canto da sala, encontraria as repostas para a minha pergunta.

Assinado: (Metrô Linha 743).

terça-feira, setembro 05, 2006

Quinze de maio de 2006, São Paulo. Essa noite, eu tive um sonho de sonhador, maluco que sou acordei. No dia em que São Paulo parou.


“Essa noite eu tive um sonho
de sonhador
Maluco que sou, eu sonhei
Com o dia em que a Terra parou
com o dia em que a Terra parou”

O Dia em que a Terra Parou
Raul Seixas
Composição: Cláudio Roberto / Raul Seixas

Um projeto tem como objetivo a criação de um produto, serviço ou resultado único. É executado por pessoas, possui recurso limitado, é planejado, executado, controlado, temporário – o que significa que tem início, meio e fim – e composto por processos operacionais. Cada processo é composto por várias atividades que geram resultados. Tudo isso forma a metodologia de gestão de projetos que deve ser seguida por todos que estão envolvidos com a execução do projeto. Sejam da própria organização ou não.
Catorze de maio de 2006, domingo dia das mães. Dias antes líderes de uma facção criminosa são isolados. Um programa de televisão alerta que será um fim de semana impossível de prever o que poderá acontecer. Quem puder deve deixar a cidade de São Paulo. Presos saem dos presídios para passar o fim de semana com suas famílias. Porém muitos não vão para suas casas, têm em mãos uma atividade bem detalhada, planejada em seus mínimos detalhes que deverá ser executada para atingir as metas do projeto.
Doze de maio de 2006, manhã de sexta-feira. Deputados são surpreendidos com escoltas policiais, um vereador é assassinado a tiros. O que não se podia prever acontece. A população em sua maioria não toma conhecimento. Segunda-feira, quinze de maio, todos vão para o trabalho e durante a manhã as noticias se espalham, os ataques são divulgados pela mídia. O número de vítimas surpreende. Hora do almoço. Mais ônibus incendiados. Imagens na televisão. A polícia aparentemente perdida, para se proteger, desaparece das ruas. As horas passam e o descontrole atinge seu ponto máximo por volta das 14h00m, quando a população toma conhecimento de um toque de recolher para as 20h00m. Trabalhadores são dispensados as 16h00m. Compromissos são desmarcados, aulas são suspensas. A multidão apavorada foge para suas casas. Telefones celulares congestionados. Metrô e ônibus lotados. Trânsito parado. Como não bastasse o caos imposto por criminosos da facção, outros tipos de criminosos aproveitam que a sociedade anseia por notícias, para dissipar vírus de computador escondidos em e-mails sobre os acontecimentos na cidade. As 20h00m, São Paulo está deserta.
Nossos governantes vêm a público com suposições, acusações, ameaças, ódio. Enquanto os ‘homens sem metodologia’ discutem responsabilidades, apresentam discursos evasivos para acalmar a população, os ‘homens com metodologia’ medem os resultados obtidos e comparam com os esperados. Avaliam o projeto de resultado único, discutem as lições a serem aprendidas.
Enquanto isso nossos ex-governante, hoje candidatos à presidência, no lugar de repetirem a atitude que tiveram dias atrás e voltar para o comando da cidade, pois o que ocorreu nesses dias é fruto de uma gestão que estava na responsabilidade desse ex-governante, continua ‘encostados na parede, de olhos fechados fingindo dormir no banco reservado‘.
Nosso ilustre presidente oferece ajuda, nosso ilustre governador não aceita alegando estar tudo sob controle. Os ‘homens com metodologia’ colocam em ação novo projeto. Bombas nos prédios do Ministério Público, na Secretaria de Estado da Fazenda, na Assembléia, Poupatempo, Guarda Civil Metropolitana.
Nosso ilustre presidente continua oferecendo ajuda. Nosso ilustre governador continua não aceitando. Os ‘homens sem metodologia’ trocam acusações, procuram justificativas para a falta de eficiência, de inteligência, insistem em discursos desesperados para camuflar o colapso da segurança pública no Estado. Os ‘homens com metodologia’ estrategicamente gerenciam suas equipes em novas atividades. Parceria, permutação, anistia, irmandade, tudo funcionando perfeitamente. Resultado: Novos ataques a agências bancárias, postos de gasolina, ônibus, lojas, supermercado. Nosso ilustre presidente continua, em seus interesses e posições, oferecendo ajuda enquanto nosso ilustre governador continua, em suas posições e interesses, negando.
Uma emissora de maior repercussão no país interrompe sua programação para transmitir um comunicado da facção criminosa. Será essa a situação sob controle que nossos governantes insistem em dizer?

O presidente oferece ajuda. Será que o presidente tem conhecimento que desde 2002 o governo federal reduziu em 40% os investimentos na área de segurança. Será que o presidente tem conhecimento de todo o contexto que envolve os acontecimentos em São Paulo para oferecer a ajuda certa, eficiente e eficaz? Não tenho tanta certeza, pois se nunca sabe o que acontece ao seu redor, não acredito que saiba o que acontece em baixo.

Chega o horário eleitoral: De início a esperança de encontrar solução, agora, já não sei “quem quer manter a ordem e quem quer criar desordem” (1).

Tenho certeza que temos policiais física e psicologicamente capacitados, dignos, éticos, que mesmo com pais carinhosos, cônjuges amados, filhos ainda necessitados de carinho e proteção, não medem esforços quando se trata em nos defender. Mas nada adianta ter policiais talentosos, preparados, responsáveis, quando a liderança é fraca, frustrante, desmotivada, fecha os olhos para a realidade.

O produto dos “homens com metodologia” resultou em agentes penitenciários, policiais, bombeiro, oficialmente cerca de 129 mortes. Perdemos muitas vidas com esses acontecimentos. No meu caso, além de também perder dois candidatos, para todas as próximas eleições, perdi a confiança em nossos governantes.

Assinado: (Metrô Linha 743).

(1) Desordem – Titãs - Composição: Sérgio Britto / Charles Galvin / Marcelo Fromer

domingo, setembro 03, 2006

De: Metrô Linha 743 Para: Caro Amigo.

Caro amigo, há muito tempo procuro encontrá-lo sem sucesso. Certa vez vi na televisão um filme que várias pessoas foram levadas por seres extraterrestres. Cheguei a pensar que pudesse ter ocorrido com você. A morte? Também passou pela minha mente, mas não, morto não. Tenho certeza que está vivendo enquanto nós aqui no Brasil continuamos sobrevivendo.

Todos da turma já tentaram localizar você, em vão. Não que o correio estivesse arisco como no tempo de nossos pais, mas as cartas voltaram sinalizando que também se mudou.

Todos da turma se mudaram. Não por livre arbítrio não. O bairro onde morávamos, o campo onde jogávamos bola, onde brincávamos de guerra de mamonas onde muitas noites ao som do violão, ao redor de um fogueira cantamos Andanças, Bailes da Vida, Maluco Beleza, agora só tem prédios de luxo. Tem que ver, um por andar, piscinas, quadras, coisa chique mesmo.

Um colega me apresentou esse negócio onde escrevo agora e disse, por atingir o mundo todo, tem grande chance de você ler, por isso, passo a escrever na tentativa de lhe colocar a par de tudo o que se passa nesse país.

Assinado: (Metrô Linha 743).