A Arte de Ser Brasileiro

quarta-feira, novembro 11, 2009

Eu, cidadão comum? Só se for no meu país.

“Um país que crianças elimina
Que não ouve o clamor dos esquecidos
Onde nunca os humildes são ouvidos
E uma elite sem deus é quem domina
Que permite um estupro em cada esquina (...)
Pode ser o pais de quem quiser
Mas não é, com certeza, o meu país

Um país onde as leis são descartáveis
Por ausência de códigos corretos
Com quarenta milhões de analfabetos
E maior multidão de miseráveis
Um país onde os homens confiáveis
Não têm voz, não têm vez, nem diretriz
Mas corruptos têm voz e vez e bis

(...) Que não pode esconder a cicatriz
De um povo de bem que vive mal
Pode ser o país do carnaval
Mas não é com certeza o meu país

(...) Um país onde escola não ensina
E hospital não dispõe de raio - x
Onde a gente dos morros é feliz
Se tem água de chuva e luz do sol
Pode ser o país do futebol
Mas não é com certeza o meu país

(...) Um país que engoliu a compostura
Atendendo a políticos sutis
Que dividem o brasil em mil brasis
Pra melhor assaltar de ponta a ponta
Pode ser o país do faz-de-conta
Mas não é com certeza o meu país”

Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo

O Meu País
Zé Ramalho
Composição: Livardo Alves - Orlando Tejo - Gilvan Chaves


Caro amigo,

Infelizmente não tenho notícias boas para contar. Veja que um Senador do PTB de Alagoas, ex-presidente cassado se candidatou para entra para a Academia de Letras de Alagoas. No lugar de livros, já que não tem nenhum, apresentou seus artigos publicados em jornais. O plural limita-se a dois: “Brasil: um projeto de reconstrução nacional” e o seu primeiro discurso na volta ao Senado: “Relato para a história: a verdade sobre o processo impeachmment”. Até ai, tudo bem, a notícia não seria ruim em um país democrático. A coisa ficou trágica no dia 02/09/2009 quando se tornou imortal. É isso mesmo. Fernando Collor de Mello entra para a Academia de Letras de Alagoas

Diante desse fato, não posso deixar de me redimir por não ter parabenizado Paulo Coelho que com seus livros de autoajuda, tem ajudado a tanta gente, sem contar com as grandes composições que produziu em parceria com Raul Seixas. Parabéns por ser tornar imortal entrando para Academia de Letras.

Aproveitando, caro amigo, a mulherada vai reclamar ainda mais porque começou a ficar difícil assistir televisão sem o controle remoto em mãos, com os dedos prontos para trocar de canal. Paulo Maluf vem aparecendo nos intervalos das programações das redes abertas de televisão na propaganda de seu partido.

Falando em partido, veja essa: O PSDB precisava de uma empresa especializada para elaborar a campanha de 2010 na web. Contratou a Loops, empresa especializada em internet. A propaganda na internet promete ser a ‘menina dos olhos’ dos partidos políticos para a próxima campanha.... Aí...bom...pois é.... caramba estou aqui pensando e não me recordo o porquê entrei nesse assunto. Até lembrei de Arnon de Mello, filho de Fernando Collor de Mello, que é um dos sócios da Loops, mas não lembro mesmo porque comecei a falar do PSDB para você. Vamos esquecer esse assunto que agora quero contar sobre a humilhação que eu e outros milhões de brasileiros passamos.

Algumas estações de metrô de São Paulo tem bibliotecas onde todo cidadão comum pode pegar livros emprestados. Louvável iniciativa.

Como cidadão comum, fui até uma dessas bibliotecas me cadastrar levando em mãos foto, carteirinha do convênio médico, crachá da empresa onde trabalho, xerox do RG e CPF, cartão do banco e até cartão de crédito internacional (na validade). Sorridente a atendente diz: “Faltou o comprovante de residência”. Implorei dizendo que tinha certeza que morava no endereço que estava falando. Sem resultado. Ofereci o celular para ligar e confirmar o endereço. Nada adiantou, precisava provar que residia onde dizia morar. Única forma era mostra uma correspondência entregue em meu nome, no endereço que jurava morar e residir. Ah! Tinha que ser recente. Dois dias depois voltei com o extrato bancário. Sorridente a atendente diz: “Senhor, faltou a xerox do comprovante de residência”. Nesse momento me dei conta de duas tristes realidades. Se é preciso guardar a xerox do comprovante de endereço é porque minhas palavras e a honestidade da atendente em confirmar que viu o comprovante de endereço não tinham valor nenhum. Analisando as duas situações, lamentei mais pela da atendente. Voltei na semana seguinte com a xerox do comprovante de endereço. Sorridente a atendente diz: “Prontinho. Se desejar o senhor já pode escolher um livro para ler”.

Dias depois descobri que outro cidadão comum passou pela mesa situação. Seu nome? Ciro Gomes. Para garantir a possibilidade de candidatar-se ao governo de SP, passou a ter seu domicilio eleitoral nessa cidade. Tudo muito simples. Arrumou um endereço fictício, ficou quatro horas na cidade da garoa e assinou em cartório documento garantindo que reside no endereço apresentado. Isso tudo foi suficiente para a Justiça Eleitoral acreditar que Ciro Gomes reside em São Paulo. (mesmo morando no Ceará??)

Xiiiii, bico calado, faz de conta que sou mudo, cego e burro.

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